Segunda-feira, 10 de Março de 2008

cem mil

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Uma coisa eu sei sobre ele. Não iria nada gostar de ter ido ali. Ia morrer outra vez, e de novo por causa do coração, do constrangimento. Foi linda a homenagem ao Olímpio. O grande momento do dia. Depois de uma tarde única de passageira fraternidade entre cem mil professores, foi comovente ser mais um na união, desta vez eterna, de quarenta pessoas no edifício mais do que histórico da Padaria do Povo, em Campo de Ourique; todos em redor da memória do sorriso único do Olímpio. Intervenções do deliciante Jorge Silva Melo, Thelonious Monk tocado por Bernardo Sassetti, Debussy e Lopes Graça pelo seu irmão, Daniel Oliveira, Rui Tavares, André Ferrand, Francisco Louçã e Tolentino Mendonça num anotado corpo presente, uma edição lindíssima de um livro atafulhado de poesia toda debruçada sobre o Olímpio; um gesto lindo. E sobretudo rever amigos de muitos anos, todos com muitos anos de Olímpio, amizades com décadas, todos a falar do riso do Olímpio, da sua desconcertante discrição e da sua infatigável vontade de ler e de dar a ler, de rir e dar a rir. O circunspecto Sassetti não resistiu a contar uma anedota maravilhosa que lhe contou o Olímpio:

Um homem chega a uma livraria e diz: “- Boa tarde. Tem à venda o livro ‘A arte de fazer amigos’, seu livreiro de merda?”

Descansa em paz, amigo querido. Fomos cem mil. Também ali, naquela sala.
publicado por Rui Correia às 17:55
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