Sábado, 12 de Abril de 2008

Manel

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A notícia do desaparecimento do Manuel Dias não foi inesperada. A sua doença suscitava a maior apreensão. Conheci-o nas inesquecíveis noitadas do Louriçal promovidas pelo Abrunheiro. Homem de livros, por os ler e os saber escrever, proprietário abastado de cultura sem aparato nem espavento, portistautor e portuense; humor ininterrupto e desobediente, velho com a idade devida. Devo-lhe muito riso e comemoro a sua presença insubmissa. Evoco a sua peculiar bonomia derreada pelo mundo cão; aquela ira domesticada que apenas encontramos nos bons jornalistas.

Com isto agora ficam por cá os seus melhores amigos ainda mais a sós com a coragem da Preciosa, a sua mulher. Uns mais do que outros. Cá ficamos, cá permanecemos uns nos outros – que o que importa, leia-se bem, é o que permanece - não para compensar uma tão enorme perda, mas para, de novo, tentarmos ser tão leais e desassombrados , humanos e generosos, lidos e estudados, aquilinos e íntegros como o Manuel Dias demonstrou que um homem pode ser. Tem é de tentar-se, que a morte também morre. Só a vida, a que foi e a que é - que é tudo o que importa - permanece.

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publicado por Rui Correia às 14:14
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