Domingo, 30 de Dezembro de 2012

Olímpio

 

Sobre o meu querido Olímpio. Cinco anos. Parece que foi hoje. Não consigo apagá-lo dos meus contactos. Hei-de cumprimentá-lo sempre dessa forma. E ele a mim.

 

Aqui

publicado por Rui Correia às 23:38
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Sábado, 29 de Dezembro de 2012

Uma candidatura

Na sequência de um honroso convite que me foi dirigido, decidi aceitar apresentar uma candidatura a Primeiro candidato à Câmara Municipal das Caldas da Rainha pelo partido socialista nas eleições autárquicas de 2013.

 

Muito obrigado a todos quantos estiveram na apresentação da minha candidatura. Que belíssima atmosfera e que importante foi para mim receber o vosso estímulo. Que favorecido fiquei com as palavras do Mário Tavares e da Helena Arroz; que privilegiado fico por testemunhar este novo ciclo da vida de um partido que entrega aos seus militantes a responsabilidade sufragada de escolher quem quer para seu candidato. Apenas por isto ninguém pode sair vencido deste processo. Que grande oportunidade de união e que grande exemplo de maturidade para toda a comunidade política das Caldas da Rainha.

 

Deixo aqui o texto, receio que longuíssimo, que pude na ocasião partilhar com todos aqueles meus amigos que fizeram questão de ali estar. Estendo o meu agradecimento a todos quantos, não podendo estar ali, tiveram a amabilidade de me enviar mensagens e cumprimentos tão plurais de estímulo e de desnecessária explicação pela sua ausência. Estou-vos, repito, muito obrigado.

 

Caros amigos e camaradas

 

Estou aqui hoje para apresentar a todos os socialistas a minha candidatura como Primeiro Candidato à Presidência da Câmara Municipal das Caldas da Rainha. E começo imediatamente por dizer que este acto apenas acontece porque o partido em que votei toda a minha vida e que hoje me convida é um partido que entregou a decisão de escolher os seus candidatos nas mãos dos militantes, mediante eleições livres.

Inaugura-se desta forma um novo ciclo interno na vida do Partido Socialista, no qual me honra poder participar. Serão, desta vez, os militantes, por sufrágio directo, a escolher quem consideram ser a pessoa adequada para protagonizar um projecto de vitória nas eleições autárquicas de 2013.

Como cidadão independente, não me caberia apresentar candidatura. Foi, por isso, por repetido convite de muitos militantes, que acedi a este repto. E aceitei-o por uma única razão: sei, convictamente sei, aquilo que é preciso fazer a partir da Câmara Municipal para melhorar a vida dos meus concidadãos. E sei também que podemos e devemos fazê-lo em conjunto.

 

Tenho idade suficiente para não me deslumbrar com convites ou elogios, por mais genuínos que sejam. Tenho, aliás, uma relação muito esquiva com os elogios. Acredito apenas nos que me são dirigidos pela minha querida mulher e pela minha implacável filha de três anos. Não acredito no poder. A vida ensinou-me que quem julga que poder não é sinónimo de trabalho não merece ter poder algum. Um político tem de provar que tem serventia. Se o não conseguir fazer, não serve para nada, e servir-se-á, mais tarde ou mais cedo, apenas a si mesmo.

 

Não sou militante. Há quem diga que isso não é bom para a minha candidatura. Que não ser militante é reconhecer que a ideologia, a militância, de nada serve. Não concordo. Quando um partido circunscreve a sua ideologia a um qualquer acto formal, caminha, em meu entender, inexorável para a sua desacreditação. Nenhuma certidão de casamento tem inscrita a palavra amor.

 

Dizem de mim que sou mais socialista que muitos militantes e mais militante que muitos socialistas. Aquilo que sou é trabalhador. Fui sempre um trabalhador e tudo o que tenho, o pouquíssimo que tenho, ganhei-o sempre a trabalhar. Mas creio que mesmo isso é cada vez mais importante nos dias de hoje. Um político tem de vir de algum lado. Tem de ter vida própria. Vida feita. Tem de ter pergaminhos profissionais. Tem de ter profissão fora da política. Tem de ser bom nalguma coisa. E aquilo que faz profissionalmente bem, tem de trazer benefícios para a política. Se assim não for, mais vale estar quieto a fazer o que sempre fez. Como cidadão livre, preciso de viver a política, mas não preciso de viver da política. Quero dizer-vos que tenho uma profissão que amo. Sou professor. De história. Conheço nas Caldas da Rainha, duas ou três gerações inteiras de jovens e de pais que comigo vivem desde há 22 anos. Sabem quem eu sou. Conhecem-me as minhas limitações, que são tão grandes como a minha dedicação ao trabalho.

 

Amigos e camaradas. Vivemos tempos que exigem o serviço e o trabalho de todos. Sei que não estou sozinho quando me aflijo com o que se passa em meu redor. Estamos rodeados de terríveis notícias. O medo invade-nos. Pela primeira vez na nossa vida desconhecemos completamente o que Portugal, a europa, o mundo, o nosso bairro, será dentro de dois, dez, vinte anos. Tudo se abate à nossa frente. Coisas que julgávamos inabaláveis soçobram com pequenas brisas. Nada é mais aflitivo, confiem neste professor de história, do que não haver referências, nem âncoras onde se amarre o futuro. A violência quotidiana que se abate sobre todos os cidadãos e as angústias que todos os dias nos cercam convidam-nos a recuar perante tão formidáveis dificuldades. E, por isso mesmo, recuamos.

 

Num tempo de consumismo político em que o declínio brutal da participação dos cidadãos provocou um emagrecimento, eu diria mesmo, uma anorexia da própria comunidade política, importa saber se a participação dos cidadãos, militantes ou independentes, na vida política da sua comunidade é, afinal, uma quimera utópica ou, simplesmente, se transformou numa necessidade vital.

 

Alguns teóricos defendem que, hoje, a maioria dos cidadãos olha-se como uma espécie de passageiros sem bilhete da cidadania, ou seja, não querem subir para a carruagem da política, não querem participar, mas exigem todos os benefícios e direitos que a cidadania lhes confere.

Eu creio que normalmente esta questão está mal colocada.

 

Interrogo-me muitas vezes se será que é mesmo verdadeira esta dita apatia dos cidadãos pela intervenção política. Cada dia que passa me prova que não. Aquilo que assistimos é a uma desacreditação do sistema político, tal como ele se revela aos cidadãos do século XXI, numa formulação oitocentista, anacrónica. Como podemos nós achar este afastamento entre eleitos e eleitores, entre democratas e democracia, um fenómeno inesperado? Que cidadão poderia desejar participar em sistemas corrompidos que alienam a sua condição de cidadão? Modelos que inundam e afogam a sua voz em formalismos e mais formalismos hoje desprovidos de qualquer sentido.

 

A questão, repito, está mal formulada. Na realidade passa-se o oposto. Cada vez mais gente participa na vida política da sua comunidade; nunca tanta gente e tão nova o fez de forma tão intensa. Mas fá-lo nos seus próprios termos, não nos termos tradicionais; fá-lo à sua maneira. Livre de interferências institucionais que não conseguem provar a sua real valia.

 

Não existe nenhuma apatia generalizada pela política, em meu entender. Existem, isso sim, diferentes tipos de participação política que o sistema obstinadamente teima em desperdiçar.

Habitamos um sistema democrático que se presta à opulência de ignorar uma verdade indesmentível: ninguém vai participar numa comunidade política se perceber que, faça o que fizer, nunca irá influenciar as decisões das autoridades públicas.

É desta exclusão que vos falo. Trata-se de um problema de solidariedade.

 

Política é um sinónimo de solidariedade. E há quem julgue que são significados diferentes. Existe uma distinção a fazer entre solidariedade política e solidariedade social. Mas como podemos nós falar de apatia das populações, se somos um povo sempre disposto a tudo em matéria de solidariedade? De onde pode chegar-nos toda essa generosidade, toda essa nobreza, senão da convicção de que todos, que cada um de nós, pode fazer uma diferença válida e eficiente na vida de outrem? Não acredito mesmo nessa apatia.

 

A participação política de uma população depende muito dos hábitos que lhe foram sendo permitidos. Um concelho, como as Caldas da Rainha, onde a população sempre lidou com a política como algo opaco que esconde habitualmente interesses sem honra nem mérito, responderá com enorme indiferença e mesmo algum cinismo a todas as tentativas de mobilização e intervenção política.

 

Os tempos que atravessamos impõem-nos a todos esta generosidade e esta solidariedade. E de nada serve sermos generosos ou solidários sem trabalho, sem diligência.

 

E da diligência não se fala. Constata-se em factos. Mede-se por actos. Entendamo-nos: eu não nasci para a política activa apenas quando fui eleito. Mas desde que cheguei à política caldense, consegui com o vereador Delfim Azevedo, convencer um executivo inteiro a acabar com toneladas de papel com que se trabalhava desde sempre nos serviços do executivo. Todos os processos burocráticos foram, por nossa instância, digitalizados. Numa cidade cheia de prédios a cair, pela primeira vez se fez neste concelho um levantamento dos imóveis degradados, ainda por concluir, apenas porque, pasme-se, nunca se sentira a necessidade de o fazer. Pela primeira vez se criou uma estrutura workspace de partilha de ficheiros digitais. Pela primeira vez se assumiu como irreversível a digitalização integral de todos os processos de obra. Para quem sabe alguma coisa de informática sabe bem como tudo isto são conquistas que já deviam estar em curso no século passado. Todos estes avanços só foram conseguidos por causa da acção da vereação socialista.

 

Podia continuar mas a nossa angústia maior não tem nada a ver com isto. Tem a ver com a vida das pessoas. Como minoria representativa, a nossa acção foi, claro está, estorvada por uma maioria partidária que tem pânico, literalmente pânico, de tudo o que seja novo. O que fizemos não nos satisfaz. Mas está longe de ser insignificante.

 

Ampliámos de 25 para 35, o número de bolsas a atribuir aos bons alunos das Caldas da Rainha com dificuldades económicas. Tirámos famílias das ruas e de dentro de contentores pútridos para onde haviam sido atiradas e esquecidas pela própria câmara. Lançámos um programa de apoio no valor de 50 mil euros para quem queira transformar antigas escolas primárias, hoje abandonadas, em creches, tão necessárias. Lançámos um fundo de emergência social no valor de 150 mil euros para assistir a famílias carenciadas que não consigam pagar as suas contas; e fizemo-lo com a lucidez e o pragmatismo necessários para garantir que a ele tenha acesso apenas quem realmente precisa. Lançámos o programa de orçamento participativo no valor de 150 mil euros e que permitiu que projectos dos cidadãos fossem apresentados, aprovados e financiados, pela primeira vez na história do município, sem intervenção do executivo.

 

É impossível recensear tudo o que foi já feito como força política construtiva que os nossos adversários nos reconhecem sermos. Em 3 anos mantivemos semanalmente o blog consigocaldasconsegue onde estão publicadas, até ao dia de ontem, 244 tomadas de posição que, juntas, estabelecem um diagnóstico minucioso do actual estado de coisas e da urgência cívica de criar um estado de mudança política nas Caldas da Rainha.

 

Mantivemos um constante contacto com a população através de encontros autárquicos descentralizados ou incitando activamente à convocação de iniciativas que assumiriam contornos de política nacional, como o abraço ao hospital, a maior manifestação cívica alguma vez realizada nas Caldas da Rainha.

 

Se fizemos isto em apenas três anos, na oposição, não posso deixar de me interrogar no que as Caldas da Rainha se tornarão quando o partido socialista assumir a presidência da Câmara. Este concelho precisa de perceber que vive no século XXI e que só não está no século XXI porque uma maioria psd o mantém refém, sequestrado no século passado. Isto tem um nome: é um atraso de vida.

 

E isto não é nenhum insulto soez. Trata-se literalmente de um atraso de vida. A expectativa de vida que nós tínhamos para nós mesmos e para os nossos filhos, fugiu pela janela. É um atraso de vida. Um recuo. Que o digam os desempregados de uma indústria cerâmica desacompanhada durante décadas que atirou tanta gente para o desemprego. Um atraso de vida. Que o digam os desempregados do comércio local de uma cidade que tem mais montras devolutas e grafitadas do que lojas abertas. Um atraso de vida. Que o diga esse exército de desempregados de uma construção civil que viu arremessados no chão tantos anos de trabalho e que hoje deixa por toda a cidade prédios novos em folha, inteiros, devolutos, produtos de um licenciamento cúpido, sem limitações, sem visão, sem perspectiva. É um atraso de vida. Que o diga um hospital, umas termas, um parque, uma mata que não compreendem o silêncio ensurdecedor de uma Câmara que nem balbucia uma palavra e deixa morrer lentamente a jóia patrimonial da nossa cidade, do nosso concelho. Um atraso de vida. Que o digam as paredes sujíssimas, as mais sujas do país, o vandalismo e a criminalidade que vão crescendo e engolindo uma cidade onde há apenas uma geração atrás se passeava em paz em qualquer rua. Um atraso de vida. Todos os caldenses o sabem. Todos os caldenses o fazem: quem queira falar das Caldas da Rainha com vaidade e delícia tem de viajar nostalgicamente 20, 30 anos para trás. E isso é um atraso de vida. São vidas inteiras, todas a andar para trás. De olhos postos, condoídos, no passado.

 

Para que se entenda bem o estado de atraso de vida em que este concelho vive enterrado, apenas por causa de quem o governa, faço-vos uma pergunta: o que faríeis vós com 10 milhões de euros? Se os pudésseis aplicar em obras na cidade e no concelho de forma a torná-lo realmente melhor. O que faríeis vós com 10 milhões de euros? 10 milhões de euros.

 

Cada um terá, certamente, a sua resposta. Mas estou certo de uma coisa. Entre as primeiras cem respostas não encontraríamos aquela que esta autarquia elegeu como a primeira, a prioridade das prioridades: mudar-lhe o chão. A ninguém passaria pela cabeça mudar o chão. E é obra gastar 10 milhões de euros a mudar chão. É preciso mesmo ter descaramento para, numa época como esta em que o dinheiro custa tanto a ganhar, que se gastem 10 milhões de euros a mudar chão. É a isto que eu chamo, é a isto que todos temos de chamar, um atraso de vida.

 

Amigos e camaradas: o diagnóstico está feito. A fotografia está tirada. Não irei perder muito tempo com isso. Temos o trabalho de casa feito desde que, em 2009, António José Seguro coordenou nas Caldas da Rainha a equipa de elaboração do programa eleitoral do Partido Socialista caldense. Caso os militantes me queiram como candidato à presidência da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, irei trabalhar afincadamente num caderno de soluções concretas, um elenco de medidas reais, realistas, viáveis, num programa eleitoral participado pela população para que todos possam não apenas perceber, mas associar-se a ele e construir com clareza aquilo que queremos ser, aquilo que devemos fazer, aquilo que defendemos e os valores que perseguimos.

 

Tenho muito orgulho em que seja o partido socialista o primeiro, senão o único partido caldense, a deixar aos seus militantes a escolha livre do seu candidato para as autárquicas em 2013. A legitimação que isso trará à minha campanha é duplamente reforçada. Estou nesta corrida para ganhar, evidentemente. Mas nesta prova não haverá vencidos. Ao escolher o candidato, todos já ganhámos. A solenidade do acto eleitoral torna-se campeão, com o exemplo socialista. E, vencidas as eleições, estas e as de Outubro, contarei com todos os socialistas para nos situarmos com clareza ideológica, com pensamento, mas também com acção e intervenção.

 

Voz.

 

É este o emblema da minha campanha. Escutar e dar voz a quem queira fazer coisas pelos outros. E, neste sentido, sei que tenho à minha disposição uma equipa motivada, jovem, vocal, trabalhadora, devidamente guarnecida pelo traquejo dos camaradas mais experientes e fortalecidos que neles reconhecem o futuro do partido socialista. Uma equipa plural que representa diferentes sensibilidades dentro do partido.

Repito: o maior problema actual da política é a exclusão. Farei disto uma obsessão. Tenho para mim a noção vivida de que nenhuma política dispensa o Outro. Liderança para mim é sinónimo de equipa.

 

O politólogo Robert Putnam, numa obra importante para quem queira perceber o nosso tempo político, diz que o tempo que hoje vivemos exige uma participação política plural, com “cidadãos peritos e pessoas que fazem”, como diria Henrik Bang. Que toda a acção política contemporânea é impossível de realizar sem uma dinâmica de equipa. Que nenhuma liderança sustentável se conserva sem dar espaço e voz activa ao Outro. Putnam diz que quem o não faça, quem não trabalhe em equipa, estará desde o início condenado – e é esse o título do seu livro - a jogar Bowling sozinho. E, mal sabe Putnam que, nas Caldas da Rainha, sabemos bem, na pele, o que significa ter um executivo a jogar Bowling sozinho.

 

Quero, pois, pedir-vos que votem na minha candidatura por saber que é uma candidatura integradora que recusa excluir seja quem for, conquanto venha por bem e pelo trabalho. É uma candidatura que já provou querer estar com todos os militantes e não com alguns. Falámos com todos. É uma candidatura que trará caras novas e ideias novas, mobilizadoras e validadas pela experiência autárquica, por plurais experiências profissionais mas também por insubstituíveis experiências de vida. É uma candidatura contemporânea com uma visão simplificadora dos processos de participação política.

 

É uma candidatura, enfim, assente no valor das pessoas e por isso escolheu este lugar para ser apresentada. Silos de cereais que se convertem hoje em contentor criativo. Uma incubadora de liberdade e de dinamismo artístico e empresarial. Uma belíssima ilustração do que podem ser as Caldas da Rainha. Um lugar que irrompa, pujante, criador, brilhante onde antes havia apenas decadência e impasse, desleixo e monotonia. A minha candidatura aposta neste virar de páginas. Temos muitas por folhear, bem o sei e já não se pode mudar o que ficou para trás. Mas esta candidatura condiz com o futuro das Caldas da Rainha.

 

Um futuro que não pode continuar a ser mais do mesmo passado, com fotocópias gastas de um mau original. Não podemos eleger atrasos de vida. Não nos podemos permitir a mais atrasos de vida. Merecemos, todos merecemos, mais e melhor.

 

Chega de tanto atraso. Chega de tão pouca vida.

 

publicado por Rui Correia às 14:10
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Sábado, 10 de Novembro de 2012

infantarias

Estava eu em plena instrução militar sobre guerra bioquímica quando nos deram a todos um kit de sobrevivência. O tenente responsável pela instrução acabara de o apresentar e de o explicar. Era coisa mesmo intensa: incluía uma seringa já cheia de um antídoto genérico que deveria ser auto injectado na coxa o mais rapidamente possível após a deflagração de projécteis tóxicos. Silêncio geral. Nada mais cool.

 

Era um saco forte transparente a embrulhar um outro saco de cor verde azeitona, que por sua vez, envolvia o kit, tudo devidamente selado e datado. Era americano, fornecido ao exército português. Através do saco transparente podia ler-se as informações de utilização, em inglês. Nunca me esqueci da primeira:

 

“1 - rip the transparent bag” – rasgue o saco transparente.

 

Vejamos: sou da infantaria. Explode um petardo químico ao meu lado. Imagino que numa situação em que acaba de explodir um petardo tóxico ao nosso lado possamos estar todos em stress. Ágil e imediatamente, pego no meu saco antiquímico. Que fazer agora? A ideia pela qual seja necessário explicar que é necessário rasgar o saco transparente que envolve o kit, é realmente qualquer coisa de... infantil. Em que situação, pergunto-me, sabendo que aquele kit pode salvar-me a vida, eu iria perder tempo a interrogar-me: "Que hei-de eu fazer com este saco que tem cá dentro tudo o que preciso para salvar a vida? Como aceder ao seu interior? É que o saco está selado e não tem aberturas. Se não tiver nas mãos o que o saco tem lá dentro, irei morrer. Por que não fizeram umas aberturas neste saco de plástico para que eu pudesse ter na minha mão o que o saco tem lá dentro?"

 

Também há aquele poema do Bertold Brecht que diz que eu sou um idiota. Sempre o tomei pessoalmente, à letra.

 

Hoje, sozinho em casa, fui experimentar aquecer uma lasanha pré-feita no forno. Fui ler as instruções para forno tradicional. “Retirar a folha que cobre a forma transparente e retirar a forma preta”. Retirei a película transparente e a forma preta onde vinha a lasanha. Fiquei com a lasanha congelada nas mãos e continuei a ler: “Em seguida, aquecer a forma preta”.

 

Invadiu-me um retemperador contentamento. Não sou o único idiota deste mundo.

 

 

 

 

publicado por Rui Correia às 15:35
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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2012

olmáiti

 

Com um allmighty Celtic a vencer sobre o allmighty Barcelona e uma allmighty Académica a vencer um allmighty Atlético de Madrid, esta teria sido uma boa semana para ser um apostador fanático.

publicado por Rui Correia às 10:19
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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2012

4ward

A política como a vejo: vencer ou perder com elegância.

publicado por Rui Correia às 20:02
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Avante

Nota pessoalíssima sobre a assembleia participativa do Orçamento Participativo (OP) nas Caldas da Rainha

Estou muitíssimo satisfeito com a participação da população caldense - muitos jovens, de resto - na segunda assembleia participativa para o OP. Alguma frustração com a condução dos trabalhos, que dá também os primeiros passos neste tipo de eventos, mas uma frustração "boa". Com isto quero dizer que alguma inexperiência na organização de um dossier com este tipo de participação livre e intensa chega a ser hilariante. Chegar a uma assembleia e dizer que algumas candidaturas não foram "aceites" e que apenas 4 propostas puderam ser "aceites" e que, como o conjunto das quatro não atinge os 150 mil euros, não vale a pena fazer nada - nem apreciar publicamente, nem votar - é cavar a própria sepultura do processo. Não é risível. é hilariante. Naturalmente, as pessoas insurgiram-se imediata e justificadamente contra este modus operandi. Mas fizeram-no com a maior autenticidade. A mim, um bom amigo sugeriu-me salazarista, e outro cidadão com sotaque estrangeiro desabafou que o que eu estava a dizer era-lhe irritante. Tudo isto, como compreenderão os que me conhecem melhor, divertiu-me muitíssimo, sem mesmo dar importância ao facto de um e outro terem feito questão de cortesia - inesperada e escusada, de resto - de me pedir desculpa.

Escolho "hilariante" porque é mesmo hilariante ver a mobilização e a agitação que este primeiro tentame de orçamento participativo gerou. Depois de anos a fio a ver derrotada a proposta de implementar o OP nas Caldas da Rainha, é fácil imaginar o deleite cívico que me causa ao ver os meus concidadãos a combater por verem as suas propostas finalmente debatidas e, claro, aprovadas. É, concluo, este meu irritante salazarismo que me anima. O facto de um OP ter sido aprovado pela maioria psd - tarde e a más horas, como de costume - é, para mim, porém, algo de grande importância.

Iniludível: 150 mil euros estão nas mãos dos cidadãos. Antes era 0€. A minha parte está feita. O demais é opinião.

Quem está interessado em que isto corra mal?

Dois candidatos:
1 - aquele que nunca o aplicou e quer provar que teve razão em nunca o ter feito porque esta coisa de escutar as pessoas é uma grande confusão;
2 - aquele que encontra aqui uma bela oportunidade de ter púlpito e público para se dizer acampado "do lado do povo", nessa crença paternalista de que uma boa malha e um discurso catita encantam mais votos.

Pareceu-me a assembleia errada para tentar essa condescendência, confirmando o que já antes testemunhei por diversas vezes.

Gente muito atenta, informada, política no sentido rectilíneo da palavra e com vontade de dizer presente. Vi pessoas calmíssimas enervadas como antes nunca as vira e gente a aproveitar esta frustração para seguirem outras agendas que se vêem à vista desarmada, sem lupas, nem binóculos.
Mas afinal o que é que se decidiu, e mais uma vez, por unanimidade:

1 - reapreciar as propostas com apoio técnico da Câmara (a bondade da minha proposta de unidade de apoio às candidaturas para OP acabou por se demonstrar com naturalidade) até à próxima sexta-feira.
2 - dar oportunidade a TODAS as propostas de se refazerem e serem novamente apresentadas e não apenas as que foram rejeitadas por não orçamentação.
3 - garantir que as propostas que se apresentem com os dados cruciais para irem parar a um orçamento (como é que uma proposta para integrar um orçamento não chega orçamentada é algo que me escapa) sejam apresentadas e votadas publicamente de hoje a uma semana - same time same place.

Enfim, uma belíssima noite de cidadania. Venham mais assim. É tudo o que me move, farto como estou de tanta, poderosa, resignação. Ver os poderes instituídos a levar nas orelhas porque não fizeram bem o trabalho de casa é sempre um deleite. Toda a gente o sabe. Mas ver os poderes instituídos a admitir esses erros - como hoje aconteceu - durante e depois da assembleia, é igualmente sinal de uma maturidade e rectidão que muito prezo.

Agora restam-me, para meu bel-prazer, mais duas ou três coisas:

1 - Ver esta assembleia a conhecer as propostas (5 minutos, cada) e votar.
2 - Ver esta assembleia participativa a aprovar uma moção pela qual seja substantivamente ampliado o montante para o próximo orçamento participativo.
3 - Ver esta assembleia a constituir uma comissão de redacção do regulamento do próximo orçamento participativo.

Isto vai correr bem. Parabéns a todos, sem excepção.

Mesmo os que.
publicado por Rui Correia às 01:48
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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2012

Deborah Lipstadt em Portugal

 

Nem sempre temos a oportunidade de ver pessoas que realmente nos envolvem pela cultura, sagacidade, coragem e inteligência cívica. Passou por Portugal uma delas, num colóquio recente sobre o holocausto e Portugal, onde me inscrevera mas não pude participar por importâncias maiores. Chama-se Deborah Lipstadt e é especialista de renome mundial do estudo sobre o negacionismo - melhor: a ilegitimidade intelectual do negacionismo - que deixou por cá uma palestra absolutamente de nível estratosférico e que pude seguir em directo a partir de casa através do live feed da Fundação Calouste Gulbenkian. (Como de costume, nem uma linha mediática sobre a sua presença).

 

Vale completamente a pena assistir a essa sua comunicação que muito vos recomendo pelo que tem de pragmaticamente erudito, interventivo e humorado, tudo coisas que me cativam até à medula.

 

Aqui.

 

(ou como diria a minha sempi(n)terna Joni Mitchell: "girls that really play")

publicado por Rui Correia às 00:52
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Quinta-feira, 1 de Novembro de 2012

Unidos

 

Sou benfiquista pela única razão possível por que alguém é do Benfica: porque sim. Mas não em Voleibol. Aí sou caldense de gema, clara e casca. Hoje perdemos. Mas nem sempre ganhar é o que mais importa. Pelo menos não por enquanto. Viva o voleibol das Caldas e um grande - não único - motivo de orgulho desportivo deste concelho.

publicado por Rui Correia às 23:31
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Quarta-feira, 31 de Outubro de 2012

...

Três mil, duzentos e dez gramas de sereníssima majestade.

publicado por Rui Correia às 23:37
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Terça-feira, 30 de Outubro de 2012

espumas

Sou um tipo livre. Aparecer em jornais limita-me essa alforria. Mas permite-me contar histórias que é uma das coisas que eu mais gosto de fazer. Há quem fique em bicos de pés quando estas coisas publicadas acontecem. Não critico ninguém por isso. Apenas sei que existe uma forma de perceber a irrelevância social destas publicidades: a minha filha a pedir-me para ser o seu burro. Nada como ter as ferraduras bem assentes no chão.

 

 

 

publicado por Rui Correia às 23:00
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Sábado, 27 de Outubro de 2012

Más caras

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E, de repente, passou a ser ela o lobo mau, para pânico indisfarçável do mais trabalhador dos três porquinhos.
publicado por Rui Correia às 15:54
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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2012

O lobby mau

Quanto custará cada jornalista no público em comparação com um jornalista que trabalhe no privado?

 

publicado por Rui Correia às 13:46
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A chama de Schama

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Controverso mas não polémico, Simon Schama é, com possibilidade de errar, o mais conhecido historiador inglês. Contesta-se-lhe o interseccionismo histórico que lhe permite vaguear entre épocas incomparáveis e deambular entre a micro e a macro história sem o menor pudor. Há quem chame a isto irresponsabilidade metodológica e depois há aqueles que, como eu, gostam de tudo isso. Pelo que este discurso necessariamente tem de adogmático e, por isso apenas, de humanista.

 

Mas não apenas por isso. Porque o distanciamento histórico, esse mito, pressupõe a possibilidade de elaborar discursos desprovidos da tentação ideológica ou, mais incredível ainda, egocêntrica. Petulâncias de grandeza, acredito-o. Schama tenta capturar a narrativa histórica em tempo real. O ontem, aqui e agora, como se apenas isso, o presente, importasse. E creio ser essa a principal razão da minha atracção antiga por esta abordagem. Pela história, de resto.

 

Porque sempre desconfiei daquela frase, sentença mesmo, que se aprende nos bancos de escola e que nos adverte que o passado serve para explicar o presente. Tive sempre para mim que a coisa funciona ao contrário. Mais do que ser o passado a explicar o presente, é o presente que explica o passado. Nenhuma narrativa sobre o passado é possível sem a constrição produtora do que sabemos sobre o presente. Só a partir da nossa experiência é que olhamos o passado. Todo o verbo no passado é conjugado no presente. Daí se parte.

 

Daí a invulnerável falibilidade do passado. Creio que o mais que podemos almejar em matéria de conhecimento histórico é o de não defraudar o presente e depauperar tudo quanto somos presencialmente na averiguação de tudo quanto nos antecede. O documentário - resultado de um livro - "O futuro da América", que ontem passou na sempre honrosa e nem sempre maçadora rtp2, representa bem este virtuosismo narrativo entre épocas históricas e dimensões historiográficas de Simon Schama.

 

Mas a linguagem, senhores... A qualidade imaginativa e criadora da linguagem do historiador é um prazer absoluto. A rendição à comoção desdramatizada, avessa ao pathos mas com o humor e a gravidade solene que devem ter-se quando falamos de coisas realmente sérias da vida. Perspicácia vivaz e documentação criteriosa tornam este trabalho um exercício de limpeza metodológica e de indesmentível serventia intelectual. Um prazer acessível a todos.

publicado por Rui Correia às 11:47
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Mal vai

O meu maior mistério acerca do actual momento do Sporting Clube de Portugal é como é que é possível um clube estar em tão mau estado sem ter candidaturas a presidente tão execráveis como aquelas que disputam as eleições no Benfica.
publicado por Rui Correia às 11:19
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Quarta-feira, 24 de Outubro de 2012

Cabeça na lua

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publicado por Rui Correia às 20:55
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Terça-feira, 23 de Outubro de 2012

Obra sua


Há 150 mil euros para gastarmos no que quisermos. Dia 26 de Outubro, esta Sexta-feira, pelas 21h00m no auditório da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, os munícipes vão poder propor obras no valor de até 150 mil euros para serem... feitas.

 

  • Um canil/gatil para as Caldas,
  • requalificação de parques infantis,
  • alargamento de faixas para vias pedonais ou ciclovias,
  • limpeza de graffittis,
  • iluminação pública,
  • uma estátua ou um monumento a erigir,
  • rede de dados sem fio (wi-fi) pública gratuita,
  • cobertura de um parque infantil,
  • instalação de semáforos,
  • colocação de sombreamentos para parques de estacionamento,
  • um festival de artes,
  • equipamento de uma cantina social,etc., etc.,

 

tudo é possível propor.

 

Esta é a primeira edição nas Caldas da Rainha e resulta de uma contenda intensa que levou anos até aqui chegar. Há quem deseje que este processo não resulte, para que com isso se prove que o Orçamento Participativo nas Caldas da Rainha não diz nada a ninguém.

 

Cumpre participar na próxima Sexta-feira com um projecto comunitário que seja, pela primeira vez, da autoria dos próprios cidadãos e não apenas dos políticos.

 

Participe.


Venha apresentar a sua visão para a sua rua, a sua comunidade, o seu bairro, a sua terra, a sua cidade, o seu concelho.

 

Consigo Caldas Consegue.

publicado por Rui Correia às 15:15
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The day AFTA

Num congresso recente chamei a este governo de Passos Coelho, o governo da pílula do dia seguinte. Funciona assim: hoje digo ou faço uma coisa e amanhã explico o que não queria nem dizer nem fazer. Depois nem digo , nem faço. Desta vez chega-se ao ponto boçal de explicar para que serve a tarifa bi-horária. Aqui. ufa.

 

PS. Afinal a RTP2 não acaba. Fonte do governo disse hoje que.

publicado por Rui Correia às 14:42
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Holocaustos

Tocante, a referência de Obama neste último debate - e o mais interessante de longe - com Mitt Romney, à sua visita ao Yad Vashem. No dia em que morre o mais antigo sobrevivente de Auschwitz estas palavras servem um propósito de homenagem que, sei-o muito bem, será devidamente escutado.

(A propósito, as palavras de Mitt Romney sobre a China ("currency manipulators"?!), são notoriamente irresponsáveis. Dizer depois disso que "I want a good relationship with China" é pura estultícia.)
publicado por Rui Correia às 03:28
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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012

Contra publicidade

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Se dissessem a uma mulher que, ao escolher um hotel, iria acordar ao lado
do Ralph Fiennes, do tântrico Sting, do tatuado Robbie Williams, do George
Clooney, do Brad Pitt, do Jude Law, do Jonathan Rhys Meyers, ainda vá que
não vá. Mas chegar a Bruxelas e ver um hotel a caminhar desta forma para o
seu precipício empresarial é algo de desconcertante.
publicado por Rui Correia às 17:20
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Tropa em tropel

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Chega a ser impressionante o mal estar que se sente nas Forças Armadas até
ao mais alto nível. Um congelamento de progressões e um garrote orçamental
que paralisa toda e qualquer previsão de vida impôs finalmente o que
nenhuma força militar pode tolerar: neste momento muitos são os militares
que pagam, literalmente pagam, para trabalhar. Os militares sentem esta
coisa brutal pela qual a excepcionalidade das suas funções sociais não
conhece qualquer respeito. Nenhum privilégio lhes pode ser atribuído e
todas as limitações lhes servem como um sapatinho de cristal, vivendo-se
numa espécie de rusticidade institucional. A coisa parece funcionar assim:
para melhor já basta assim, para pior está bem, está bem. Lembro-me sempre
de uma voz popular que advertia há uns anos atrás: não brinquem com a
tropa. Sempre levei isso a sério.
publicado por Rui Correia às 17:19
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Quarta-feira, 10 de Outubro de 2012

jornalix(m)o

E ainda falam de "monopólio da narrativa informacional". Que distância vai de 36 a 48? O mesmo que vai do jornalismo ao jornalixo. São 48 no total, mas 36 são jornalistas. Para o Expresso, nem existem.

 

 

 

 

 

publicado por Rui Correia às 16:39
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Reforma em saldos

Agora que se impõe que as Caldas da Rainha assumam a sua posição de pronúncia ou não perante uma reforma administrativa que, pasme-se, tem contornos de venda em saldo (se não disseres que sim tiramos-te seis freguesias, se disseres que sim desaparecem apenas quatro), num inominável desconto de 20%, é especialmente desconcertante recordar a posição da personagem que vai liderar a entidade que fará essa contabilidade.

 

 

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  Entendamo-nos: Portugal precisa disto como de pão para a boca. Mas os critérios - que hoje são presididos pelo arbítrio das conveniências eleitorais e por rigorosamente mais nada - poderiam ter sido desta vez, como nunca o foram desde sempre na história de Portugal, eminentemente técnicos na sua formulação e contemporâneos nos seus princípios de modernidade. Acabam por ser da maior irrelevância e obedecendo a partidarites bovídeas. Nada de bom daqui resultará. Ou melhor daqui resultará justamente aquilo de que Portugal não precisa nada: maisuma reforma cara e que está condenada a não ficar assim.

publicado por Rui Correia às 10:12
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Segunda-feira, 8 de Outubro de 2012

2 mil e cens

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Como se ultrapassa um amor inultrapassável?

(1100° artigo no dia em que a minha filha faz 1100 dias)

publicado por Rui Correia às 00:37
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Domingo, 7 de Outubro de 2012

Momentos

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Poder passar uma semana em conversas habituais com o historiador e polemista Georges Bensoussan, vulto distinto da cultura francesa. Constatar com muito riso que estamos a terminar o mesmo livro (ele em francês, eu em inglês e discutirmos pormenores de tradução numa esplanada em Tirana) e que a ambos nos delicia. Privilégios.
publicado por Rui Correia às 23:48
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estupidez

...e vai daí um tenta fazer com que o outro diga que sim, que este governo deve manter-se, e chama a isso "moção de censura". Parangona do dia seguinte: PS não apoia a queda do governo. Dias depois, o outro tenta fazer com que o primeiro diga que não, que não deve reduzir-se o número de deputados (a bête noire expiatória de todas as frustrações) e chama a isso intervir na redução da despesa para contrariar o aumento de impostos. Parangona do dia seguinte: PCP e BE não querem reduzir número de deputados.

 

Com coisas sérias não se brinca. Sobretudo agora. Quando há fome em cada família.

 

Esta recíproca malevolização partidária não nos conduz a nada. Precisamos, todos precisamos dos partidos. Sobretudo num momento em que a contenção é um bem escasso. Nada existe de sério nestes malabarismos retóricos. Se chegámos a este ponto na política isso não se deve aos políticos. Deve-se a todos quantos ao longo destas três décadas de democracia se foram afastando do dever cívico do exercício das suas responsabilidades como cidadãos. Votando e sendo eleitos. Só assim se expulsa quem lá não merece andar. E são muitos.

 

Tão estúpido como aviltar o regime democrático é vulgarizar as suas fragilidades procedimentais.

publicado por Rui Correia às 22:11
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retoma

A participação num colóquio de bloggers realizado no CCC das Caldas da Rainha obriga-me a interromper por uns momentos um silêncio que se deve exclusivamente a muito que fazer. A nada mais. Nenhuma agenda, nenhum cálculo. Apenas o "destempo". Mantive-me activíssimo noutros blogs mas especificamente políticos ou artísticos e não este. Tanto me aconteceu nos últimos meses que tem sido impraticável manter o ritmo que desejo para este meu primevo poiso online. Pelo facto peço muitas desculpas, mas é sobretudo ao meu blog que peço desculpa. A si que adquiriu uma vida própria e me olha todos os dias com olhos de cão ensopado. Já que ninguém o diz, digo-o eu, ainda que com outro sentido que não aquele que todos desejam: vem aí a retoma. Até já.
publicado por Rui Correia às 01:44
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Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

Abruptamento de escolas

Há uns anos atrás, habitava eu uma escola que passara, inesperadamente, a ter uma gestão profundamente decepcionante e a tomar decisões que a todos espantava pela sua incoerência com um programa eleitoral que afirmara defender outras condutas e outras práticas, vi um ministério da educação a interromper esse mesmo mandato apenas para dessa forma resolver um loophole legislativo, fruto de inépcia jurídica.

Por mais razões que eu tivesse para discordar da forma como a minha escola era gerida, a verdade é que me opunha ainda mais frontalmente contra o desrespeito pelo voto de toda uma comunidade educativa. Activamente me empenhei na defesa da solenidade dos actos eleitorais e na contestação a um modelo que simplesmente nomeava uma nova administração que substituía a legitimamente sufragada. David e Golias, evidentemente.

Quando se verificou que, para cúmulo, a nova direcção não viera com a mínima intenção de trabalhar, escondendo-se no gabinete durante semanas a fio sem sequer se apresentar a ninguém, completamente escorraçada e desrespeitada por todos - menos os que, como sempre, sempre se disponibilizam para ensaboar costas e coisas - então foi fácil perceber que o desastre seria tão inevitável como iminente.

Previmo-lo na altura, abertamente. Foi.

Evidentemente, eu e outros, cirurgicamente escolhidos, fomos removidos de todos os plateaus de decisão, substituídos por gente mais disponível a abanar com a cabeça de cima para baixo. O costume.

Um dia houve eleições para o conselho geral transitório. A escola votou que sim, ao contrário do que defendera até então. Um murro no estômago. Depois houve eleição colegial para director. O candidato que mais se destacara por inépcia venceu. Outro murro no estômago. Desta vez, terminei imediatamente a minha cruzada, por coerência de respeito ao acto eleitoral, mesmo que colegial. Não obstante a vitória retumbante, meses depois, como se adivinhava, o "vencedor" pediu a demissão dizendo aos jornais que 'tudo correu mal'.

Depois houve uma nova eleição. Desta vez, por exaustão de disparate, o tipo que se sabia ser capaz de inverter o estado de coisas acabou por resignar-se a concorrer, contra tudo o que ele mesmo se prometera. Perdeu. Ganhou outra pessoa. Uma que pertencera ao tal elenco de pessoas que tivera uma gestão em que 'tudo correu mal'. Nada houve de inédito nisto. Cálculos e espingardas.

Que efeitos teve essa eleição? Os esperados. Nada mudaria. Decisões e condutas arrogantes e persecutórias conduziram a um estado tal de falta de liderança - que se confunde com autoritarismo van damme, funcionalismo alpacóide e pacovice administrativa, tudo feito à base de celulose - que transformaria esta escola num lugar de boçal mediocridade gestionária. O desprezo é tal que se aproveitou uma oportunidade assassina apenas com o objectivo último de expulsar a actual direcção. Um expediente chico-esperto para expulsar os chicos-espertos, substituindo-os por não se sabe quem. Mais chico-espertos.

Apercebendo-me que nos preparamos para adoptar - votámos, ao menos, a favor - um projecto que tornará a minha escola, sede de agrupamento, num satélite comandado à distância, apenas para expulsar este ou aquele mamífero daqui ou dali, não poderia estar de acordo com os meus colegas que, exaustos, encontram aqui uma solução fácil para um problema difícil.

Importa referir que vexou e votou contra a actual direcção quem mais contribuiu para a sua eleição há apenas coisa de um ano atrás. Torpezas. Quem ontem febrilmente apoiava a sua eleição, hoje espetara-lhe uma faca nas costas com a flexibilidade desossada dos invertebrados. A vergonha daquele voto, daquele dia, daquele conselho geral, deveria ser suficiente para que a actual direcção compreendesse que esta história terminará com um vilipêndio pessoal humilhante. Aparentemente não é. Aprenda-se com isto, ao menos, que quem se ocupa a contar espingardas, acaba com um tiro no pé.

Se estivesse vivo, o meu pai faria anos hoje. Com ele aprendi muitas lições que é o que os pais fazem aos filhos. Uma delas é que nunca estarei do lado de quem procura perseguir outrem. Seja ele ou ela quem for. Nunca me encontrarão ao lado de quem pretende humilhar outrem, especialmente para dessa humilhação retirar vantegens pessoais. Há muitas formas de discordar e agir contra as opções de outrem. Por mais razão e razões que tenhamos, nada justifica a perseguição pessoal.

Esta opção de agrupar estas onze escolas a quem já um dia disse em referendo não querer agrupar-se com elas resulta apenas de um sentimento vulgar de vingança pessoal. O meu mundo não será nunca esse, habituado como estou a dizer das pessoas, quando necessário, com clara distinção, aquilo que delas penso e a distinguir ética e etimologicamente, as palavras discordância e discórdia.

Encontrando-me em posição institucional de emitir opinião sobre este processo, permito-me transcrever aqui - o lugar onde sempre apresentei as minhas posições sobre este assunto - a posição que assumi, solitariamente, em sede de executivo camarário.

"O vereador Rui Correia manifestou a sua oposição ao processo em curso de agregação de escolas e agrupamentos escolares em virtude de considerar que nenhum elemento adicional existe que justifique uma mudança de atitude por parte da autarquia que tem defendido a urgência de estabilização dos corpos directivos e dos processos pedagógicos em curso neste concelho. A autarquia tem manifestado a sua oposição a esta iniciativa ministerial, uma vez que considera negativo qualquer processo que ela imponha, mais uma vez, reiniciar formatos experimentais de gestão escolar, com nomeação de novas comissões administrativas provisórias, posição que o vereador Rui Correia tem enaltecido.

Pretende agora a Câmara esquecer essa sua determinação.

Em primeiro lugar, não é possível concordar com um plano cujos contornos mínimos nem sequer são conhecidos; desconhece-se, por exemplo, em que agrupamento é suposto que venham a ser integrados todos os estabelecimentos de ensino em exercício, em todo o concelho, nomeadamente escolas mais afastadas das sedes de agrupamento; desconhece-se, também, como será resolvida neste âmbito a articulação com as escolas privadas que têm reivindicado, para efeitos de contrato-parceria com o Estado, o seu estatuto de ensino público.

Num momento em que se tanto se propala a racionalização de despesas dos dinheiros públicos não se encontraria qualquer sentido que se aceitasse o exercício de uma rede escolar como aquela que existe nas Caldas da Rainha, onde o Estado paga a escolas privadas para acolher alunos do ensino público, depauperando de alunos outras escolas públicas vizinhas, sub-lotadas, que têm já numerosos professores com horários zero, fenómeno que virá necessariamente a ampliar-se. Trata-se de pagar duas vezes pelo mesmo serviço, algo que é flagrantemente incongruente com o contexto de restrição financeira que se diz fundamentar este programa de agregação de escolas e agrupamentos.

O concelho conhece já, infelizmente, os efeitos educacionais de excêntricas imposições externas sem fundamentação pedagógica. Importa referir, como exemplo, que a comunidade escolar de Santo Onofre tem já um histórico de perturbação da sua gestão escolar - que atingiu impacte nacional e parlamentar e resultou num prejuízo pedagógico que objectivamente conduziu à perda de centenas de alunos que abandonaram um agrupamento de escolas até então exemplar e sobrelotado. Esta péssima experiência exige a maior renitência em impor medidas que novamente caustiquem um já traumático processo de reparação e reposição institucional.

Um processo de agregação deve resultar única e impreterivelmente de iniciativas voluntárias, pedagogicamente fundamentadas, tendo em vista o reforço de um projecto educativo articulado e mais funcional. 

Não é possível recomendar uma agregação de escolas

1 - que contraria os argumentos até aqui esgrimidos pela autarquia;

2 - baseada em pressupostos pedagógicos desconhecidos;

3 - baseada em pressupostos geográficos desconhecidos;

4 - baseada em pressupostos demográficos desconhecidos;

5 - que não parece contemplar uma revisão indispensável da articulação educativa privado-público; 

6 - que contribui para um acréscimo de professores com horários zero em escolas incompreensivelmente sub-lotadas;

7 - que objectivamente virá degradar ainda mais o desempenho de muitas das escolas, em virtude da redução  extemporânea do número de parcerias educativas até hoje presentes nos diversos conselhos gerais de escola;

8 - que exige uma reformulação integral dos actuais projectos educativos, reformulação essa que algumas escolas já vieram a público recusar-se a fazer."

publicado por Rui Correia às 09:11
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Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

Isabel calçada

publicado por Rui Correia às 04:15
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Galgo Coutinho

publicado por Rui Correia às 04:14
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Apocalipse Nau

publicado por Rui Correia às 04:14
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